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Monday, 8 de September de 2014

Filtro solar depois dos 30 – antes tarde do que nunca

Proteção diária contra a ação dos raios ultravioleta deve começar na infância, mas se regularizada a partir da fase adulta pode retardar problemas que ainda não apareceram

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Da Equipe Medicando
O uso diário do protetor solar a partir dos 30 anos de idade retarda o aparecimento de problemas e sinais que ainda não surgiramFoto: ReproduçãoO uso diário do protetor solar a partir dos 30 anos de idade retarda o aparecimento de problemas e sinais que ainda não surgiram

Aliado poderoso contra as indesejadas manchas e rugas precoces, o filtro solar também é capaz de prevenir o desenvolvimento de doenças como câncer de pele. Embora a recomendação médica seja a de que ele deve ser usado a partir dos seis meses de vida, a boa notícia para quem só começou a adotá-lo na fase adulta é que essa mudança de hábito contribui significativamente para adiar as alterações que ainda não apareceram.

O dermatologista Fernando Sperandeo de Macedo, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology (AAD), explica que, embora os efeitos da radiação ultravioleta (RUV) emitida pelo sol sejam graduais e irreversíveis, a doção do uso regular do filtro solar previne problemas que ainda não se desenvolveram. “Mas isso vai depender da forma como a pessoa resolveu se cuidar. É preciso estar atento ao tom da pele e ao tempo e período da exposição ao sol para que o produto seja utilizado corretamente”, destaca.

Os primeiros sinais

A idade a partir da qual os efeitos dessa exposição começam a ser visíveis variam de acordo com o fototipo de cada indivíduo que, como ensina Macedo, são classificados de um a seis, partindo dos tons de pele mais claros para o mais escuros. São essas diferenças genéticas, somadas aos hábitos de vida, que explicam porque algumas pessoas que não se protegem adequadamente começam a apresentar determinados sinais a partir dos 30 ou 40 anos e, em outras, já é possível ver esses sinais entre os 20 e 25 anos.

Geralmente, quanto mais clara a tonalidade da pele de uma pessoa e maior sua exposição ao sol, mais ela sofrerá. “O efeito acumulativo da exposição aos raios ultravioletas acontece em todos os tipos de pele, mas as mais claras – que estão entre os fototipos 1 e 2 – e que não se protegem adequadamente é que mais cedo apresentam características como manchas, asperezas, poros dilatados, rugas finas e, posteriormente, rugas de expressão e até câncer de pele”, explica o dermatologista. 

Mas, conforme com o hábito de vida de uma pessoa, algumas características de envelhecimento precoce podem aparecer ainda mais cedo. “Nas regiões norte e nordeste do país, por exemplo, vemos crianças e adultos jovens com a pele maltratada porque ficaram a vida inteira expostos ao sol”, relata o profissional.

Protetor dia sim, dia não, funciona?

De acordo com Macedo, para que a proteção da pele seja feita de forma eficaz é preciso obedecer alguns mandamentos, como escolher o protetor solar adequado para o seu tipo de pele, usá-lo diariamente, mesmo nos períodos nublados e, de acordo com o horário e tempo de exposição ao sol, reaplicar o produto. Essas orientações valem, principalmente, para quem aplica o produto em dias intercalados. 

“Funciona assim: no dia em que a pessoa aplica o protetor a pele acumula muito pouca RUV. No dia que ela não aplica, acumula uma quantidade maior. Isso tudo vai sendo somado”, esclarece o dermatologista, ao reforçar que o ideal é usar produto diariamente, para evitar os efeitos do foto envelhecimento e prevenir o câncer de pele. “Pode ser feita uma analogia com uma dieta para emagrecer: se um regime é feito dia sim outro não, torna-se bem mais difícil de perder peso”.

Exposição indireta

Se, por exemplo, a exposição de uma pessoa restringe-se a ir para o trabalho de carro, passar o dia no escritório e só retornar à noite, aplicar o protetor uma única vez pela manhã é suficiente. “Como o efeito da primeira aplicação dura por aproximadamente 2 horas, e a radiação ultravioleta que atravessa o vidro do carro só age sob a área que é exposta, caso a pessoa não se reexponha ao sol, não há necessidade de reaplicar o produto”, afirma Macedo.

Há, no entanto, determinados horários do dia em que a incidência direta do sol sobre a pele, não só é bem-vinda como necessária, para que o organismo produza vitamina D. Até às 10h da manhã e a depois das 16h da tarde a pele sem protetor solar absorve melhor a energia solar suficiente para sintetizar nutriente. Dentro desse intervalo, a aplicação do produto na pele passa a ser fundamental para a proteção contra os efeitos nocivos da RUV.

Segundo o dermatologista, embora não existam áreas do corpo que precisem receber atenção diferenciada, o efeito cumulativo decorrente da incidência dos rios ultravioleta acontece principalmente na face, incluindo orelhas e lábios, no pescoço e no dorso das mãos, por ficarem mais expostas. Por isso, a recomendação é a de que essas áreas recebem protetor solar todos os dias, observando-se todas as orientações mencionadas.

E para quem já atingiu a faixa dos 30 anos ou mais e ainda não adota o uso diário do protetor solar, o especialista ressalta que, a partir de certa idade, a proteção utilizada só irá bloquear ou retardar os problemas que ainda não surgiram. “O que foi tomado de sol, ao longo da vida, está na sua conta e o resultado de toda exposição inadequada fica acumulado na pele. Não tem como retirá-los. Os tratamentos atualmente realizados só tratam suas consequências”, enfatiza o especialista.

Referência(as):
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Fernando Sperandeo de Macedo Dermatologista com formação e especialização na Escola Paulista de Medicina - UNIFESP, Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e da American Academy of Dermatology (AAD). Coordenador Médico do setor de Dermatologia do Laboratório Fleury. Especialização(ões) Dermatologia;