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Wednesday, 21 de January de 2015

Iniciativas de instituições privadas são referência no estímulo ao parto normal

Fim do pré-agendamento das cesáreas está entre as medidas adotadas que diminuem o número de internações em UTI neonatal e de mortalidade por prematuridade

Ações incluem atendimento 24 horas por médicos e enfermeiras obstetras, o uso de recursos para alívio da dor no parto e estímulo à presença do acompanhante Foto: ReproduçãoAções incluem atendimento 24 horas por médicos e enfermeiras obstetras, o uso de recursos para alívio da dor no parto e estímulo à presença do acompanhante

Na busca por incentivar o parto normal em detrimento das cesáreas desnecessárias, entidades que atuam na área de saúde complementar, como hospitais e planos de saúde, têm mudado procedimentos e obtido redução nos índices de partos cirúrgicos.

Em Jaboticabal, por exemplo, a Unimed conseguiu reduzir de 99%, em 2011, para 50%, 2014, o número de cesarianas em uma de suas unidades hospitalares. Lá, uma das principais mudanças no atendimento às gestantes foi o fim do pré-agendamento das cesáreas. As mães passaram a ter que chegar ao hospital com 40 semanas de gestação ou já em trabalho de parto sem ter mais a possibilidade de antecipar o nascimento dos bebês – o que diminuiu o número de internações neonatais em 60% e a mortalidade – que já era baixa.

“É impressionante a queda [de internação] em UTI, confirmando que os recém-nascidos estavam sofrendo com o excesso de cesáreas”, destaca o médico Paulo Borém, representante do Comitê de Atenção Integral à Saúde da Unimed do Brasil. A experiência foi implantada também em outros hospitais da Unimed no interior paulista, em Belo Horizonte e chegará a Vitória em março.

Além disso, para conquistar a confiança das mães, as últimas consultas do pré-natal ocorrem no hospital e não mais no consultório. “Elas vão conhecer as equipes de saúde, em dias diferentes às consultas, depois da 36ª semana e aguardar a 40ª semana ou o trabalho de parto para ter o neném, porque acontecia de o bebê nascer antes de 'estar maduro'”, contou o médico.

A Unimed também contratou mais enfermeiras obstetras e doulas. “As enfermeiras assumiram um papel fundamental nas equipes e isso mudou totalmente o resultado”, enfatizou. “A enfermagem [permite] uma formação para cuidar das pessoas, sem intervenção. Elas [as enfermeiras] estão lá para acompanhar a evolução do parto, já o médico vem de uma cultura de intervenção.”

Na opinião do presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Etelvino Trindade, a participação de mais enfermeiras obstetras nas equipes de parto ajuda de fato a reduzir o número de cesáreas. A entidade destaca também a importância de mudanças na formação dos médicos, para que o parto normal humanizado – com o mínimo de intervenções possível – seja realidade: “O estudante só vê cesariana. Então, chega na hora, ele acaba preferindo”, admitiu.

Outra mudança foi remunerar os médicos pelo critério de plantões e não mais por partos. “Essa situação evita que os médicos fiquem aguardando a paciente por horas, como acontece no parto normal, para ganhar por um único procedimento. Os médicos devem recomendar a cesáreas por critérios técnicos”, completou a nota da instituição.

De acordo com o coordenador da iniciativa, todo o projeto de humanização do parto nas unidades é fundamentado em qualidade e segurança. “Fazemos o parto como o SUS [Sistema Único da Saúde] preconiza, porque, historicamente, o parto normal pode ser traumático”, disse, em relação a procedimentos que podem causar dor às mulheres. Atualmente, o índice de cesarianas na rede privada é 84%, enquanto na rede pública, 40%.

O novo modelo de assistência ao parto em unidades da Unimed foi citado como referência no encontro Ecos da 9º Conferência - Normal é Natural: da Pesquisa à Ação, realizado com especialistas de todo o mundo, em 2014, no Rio de Janeiro, e consta na pesquisa Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), feita em 266 hospitais.

Com o objetivo de reduzir o número de cesarianas, o Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista, também vai rever os procedimentos no atendimento a gestantes. A partir de fevereiro, a entidade põe em prática acordo de cooperação inédito com a Agência Nacional de Saúde (ANS) para servir de referência à rede privada.

As ações incluem atendimento 24 horas por médicos e enfermeiras obstetras, o uso de recursos para alívio da dor no parto, educação continuada da equipe e estímulo à presença do acompanhante, baseadas em recomendações do Institute for Healthcare Improvement (IHI) – organização americana que atua para melhorar a segurança e a qualidade no cuidado aos pacientes.

Segundo a gerente de Assistência à Saúde da Agência Nacional de Saúde (ANS), Karla Coelho, as experiências do Albert Einstein e de unidades da Unimed avançam na redução das cesarianas desnecessárias e são referência. “Precisamos disponibilizar informações à mulher sobre parto normal, de parceria com as entidades médicas – que estão se aproximando para apoiar iniciativa da ANS – junto com as universidades, que fazem as pesquisas e, por fim, da mudança nas maternidades.”

Fonte: EBC/ Por Isabela Vieira