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Monday, 31 de January de 2011

Cirurgia para redução de estômago na adolescência pode ser prejudicial à saúde

Médicos aconselham a só realizar procedimento após algumas tentativas de emagrecimento por meio de regime alimentar e exercícios físicos

Por Elizângela Isaque
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O crescente número de cirurgias bariátricas (para redução de estômago) realizadas em adolescentes no Brasil tem sido alvo da preocupação de muitos profissionais. Diante desse cenário, médicos alertam para os perigos decorrentes desse procedimentos que, nos jovens, pode acarretar problemas irreversíveis. Além dos riscos cirúrgicos, disfunções nutricionais e psiquiátricas englobam a lista dos possíveis malefícios decorrentes desta prática.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, cinco por cento das 30 mil cirurgias para redução de estômago realizadas no país são feitas em jovens com menos de 20 anos.  Isso porque, de acordo com a legislação brasileira, esse procedimento só é autorizado em pacientes a partir dos 16 anos de idade, com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 e acompanhado, obrigatoriamente, de doenças como diabetes e hipertensão.

Muitos especialistas não apenas defendem a prática dessas cirurgias como acreditam que a tendência é que elas aumentem, sobretudo devido ao constante aperfeiçoamento das técnicas. Na outra esfera, contudo, encontram-se médicos preocupados com os sérios problemas que essas intervenções podem resultar em jovens que ainda se encontram em fase de crescimento.

“Podemos estar trocando uma doença crônica, por outra, sem saber o que vai acontecer mais tarde”, pondera Rosana Radominsk, presidente da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Mas a falta de dados em relação aos efeitos em longo prazo contribui tanto para a polêmica da questão quanto para o aumento de indicações dessas intervenções em adolescentes.

Em meio às dúvidas, o avanço das técnicas, o crescente aumento de obesos no país e a falta de referência quanto aos possíveis problemas provenientes dessa prática contribuem para os argumentos de defesa desse procedimento. “Sabemos dos riscos da obesidade. A cirurgia é uma opção que vale a pena”, defende o integrante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia pediátrica Paulo César Alves da Silva, que, no entanto, reconhece a necessidade de se discutir diretrizes.

Do outro lado, profissionais defendem a adoção de tratamentos menos agressivos como forma de evitar as intervenções cirúrgicas. “Mutilar o aparelho digestivo em que está em crescimento não é bom. Antes de partir para a cirurgia, eu tentaria o tratamento clínico para emagrecer pelo menos duas vezes”, afirma o pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopes, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).


Riscos

De acordo com os especialistas, em decorrência da cirurgia bariátrica, podem ocorrer complicações como broncopneumonia, embolia pulmonar, vazamento do tubo digestivo, dentro da cavidade abdominal – caso algum ponto não cicatrize direito – e até hemorragia. Há riscos também de reações pós-cirúrgicas tais como depressão, transtorno bipolar e bulimia, que se enquadram entre os riscos psiquiátricos, além dos que podem ser mascarados pelas cirurgias como distúrbios alimentares e de ansiedade.
 
Riscos neurológicos também são apontados pelos médicos, que se preocupam com problemas como a ocorrência de deficiência de nutrientes no organismo. A possível falta de vitamina B1, por exemplo, pode causar alteração ocular, como visão dupla que, se não tratada, provoca alterações irreversíveis da memória recente. Já a falta de vitamina B12 prejudicaria o sistema nervoso cerebral, causando apatia, falta de coordenação motora, déficit de memória e demência.

Outras disfunções, igualmente prejudiciais, que podem surgir em decorrência da prática da redução de estômago, são a diminuição do ácido fólico (B9) e da vitamina B6, que pode levar à ocorrência de neuropatia periférica (perda sensorial) e fraqueza muscular nas extremidades do corpo.  Também há o risco da insuficiência de proteínas, que prejudica a construção e regeneração dos tecidos e a deficiência de vitamina D que, dentre outros graves malefícios, acelera a perda de massa óssea e o desenvolvimento de anemia crônica.

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