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Monday, 13 de February de 2012

Curta a folia, mas não se esqueça de proteger seus ouvidos durante o Carnaval

Fonoaudióloga ensina a festejar sem se descuidar da saúde auditiva, que nesta época corre sérios riscos

Da Equipe Medicando

Alguns trios elétricos chegam a 135 dB, muito acima dos 85 dB, considerados prejudiciais à saúde auditiva, se o tempo de exposição for prolongado Foto: ReproduçãoAlguns trios elétricos chegam a 135 dB, muito acima dos 85 dB, considerados prejudiciais à saúde auditiva, se o tempo de exposição for prolongado

Durante o Carnaval, além de se proteger contra doenças sexualmente transmissíveis, como Aids e herpes, e ingerir muita água para evitar a desidratação, entre outros cuidados, também é importante a atenção quanto à saúde dos ouvidos. A intensidade de barulho a que os foliões ficam expostos nesta época do ano pode prejudicar a audição de forma irreversível.

Segundo especialistas, sons acima de 85 decibeis (dB) são prejudiciais à saúde auditiva, se o tempo de exposição ao barulho for prolongado. Nesse sentido, seja nos blocos de rua, festas de salão, trios elétricos ou em desfiles de escolas de samba, as medidas adotadas para proteger os ouvidos do barulho intenso devem ser as mesmas. Isso porque, nesses ambientes, o barulho e o som alto, muitas vezes, ultrapassam 120 decibeis – existem trios elétricos que chegam até a 135 dB.

Essa superexposição pode resultar em uma lesão irreversível nas células responsáveis pela audição. No caso das crianças, inclusive, os cuidados devem ser redobrados, já que o barulho excessivo pode lhes trazer irritação e choro, além de saírem do ambiente com um forte zumbido no ouvido, sem que os pais percebam.

“O fato de uma perda auditiva ser indolor, gradual e levar tempo para ser diagnosticada faz com que as pessoas não deem a atenção devida para a audição”, alerta a fonoaudióloga Marilisa Zavagli. De acordo com a profissional, os riscos sempre estão relacionados ao tempo e nível da exposição sonora.

“No carnaval, ficamos expostos a sons mais altos por mais tempo. Deveríamos nos expor a apenas seis minutos a um som de 120 decibeis. Claro que ninguém fica atrás de um trio por apenas este período”, frisa a fonoaudióloga, que alerta: “Zumbido e perda auditiva são os resultados dessa exposição indevida. Por esse motivo, é melhor estar atento aos sinais”.

Protetor auricular

Na opinião dos especialistas, os aparelhos protetores, também chamados de atenuadores, são excelentes alternativas para quem não quer perder nenhum momento da folia. Prestes a se tornarem uma tendência, como vislumbram vários profissionais, eles ainda causam estranhamento, devido à estética, adaptação ao uso ou ambos os motivos.  

Zavagli explica que, quando a rejeição ao aparelho origina-se pelo aspecto da estética, a solução está na escolha do modelo do aparelho, já que alguns ficam aparentemente invisíveis. “Como culturalmente não temos esse costume, é mais forte a reação dos outros quanto à utilização. Talvez pequenas mudanças de atitude possam ser o primeiro passo para mudar esse contexto. Valorizar a saúde é importante e quase sempre deixamos a saúde auditiva de lado”, ressalta.

A fonoaudióloga afirma que, da mesma forma que existem protetores universais, adquiridos prontos para o uso, há os que são feitos sob medida. “Esses últimos, por serem personalizados, tendem a ser mais confortáveis e esteticamente mais aceitos. É possível a confecção com filtros, que geram melhor conforto na percepção da informação e, ao mesmo tempo, têm a função de proteger a audição”, conclui.

Para ajudar os foliões, Marilisa Zavagli dá algumas dicas:

- Evite permanecer próximo às saídas das caixas de som.
- Fique atento ao tempo de exposição ao som forte. Se estiver incomodado, irritado, não dá pra conversar? Mude de ambiente por um tempo, deixe o barulho passar.
- Durante os dias de folia, caso o período de exposição seja prolongado e repetitivo, utilize um protetor auditivo. É possível proteger a audição e curtir a festa.
- Respeitar intervalos de repouso auditivo: desfilou ou saiu no bloco à noite? Evite locais com música alta ou som intenso no dia seguinte.
- Ao sentir incômodo com o nível do som, procure um local mais tranquilo e reveze entre os ambientes, se possível. Se sintomas, como zumbido (“apito”), pressão ou dor persistirem, procure um médico otorrinolaringologista.

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