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Tuesday, 31 de January de 2012

OMS apresenta roteiro para combate às doenças negligenciadas

Ação realizada pela cooperação entre organizações distintas conta com a doação de medicamentos e financiamento de pesquisas para o desenvolvimento de novos tratamentos e melhorias em saneamento

Da Equipe Medicando

A Fundação Bill & Melinda Gates é responsável pela maior fatia de financiamento adicional, até o momento, com a doação de U$ 363 milhões, para pesquisas relacionadas às DTN, incluindo novos tratamentos e de entregaFoto: ReproduçãoA Fundação Bill & Melinda Gates é responsável pela maior fatia de financiamento adicional, até o momento, com a doação de U$ 363 milhões, para pesquisas relacionadas às DTN

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu ontem planos para combater as chamadas doenças tropicais negligenciadas (DTN), que atingem predominantemente as pessoas mais pobres do mundo. O objetivo da OMS é reunir os governos de vários países, a indústria farmacêutica e entidades filantrópicas para controlar e eliminar moléstias, como a doença de Chagas, dengue, leishmaniose, raiva, esquistossomose, elefantíase e hanseníase, entre outras.

Atualmente, estima-se que as DTN afetem mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, dentre as quais, anualmente, é contabilizado um número de óbitos que varia entre 500 mil e um milhão. A maioria das vítimas reside em áreas pobres e rurais de países em desenvolvimento, localizados na África, Ásia e na América Latina.

Embora, nessas localidades, haja medidas preventivas e até mesmo tratamento para algumas dessas doenças, elas não chegam de forma universal a essas populações. Em alguns casos, inclusive, o tratamento é relativamente barato, mas o custo do manuseio de algumas delas, como a esquistossomose, por exemplo, é considerado alto.

Para mudar essa realidade, a iniciativa da OMS inclui planos para uma grande expansão de programas, como a doação de drogas por parte da indústria farmacêutica, para o tratamento de algumas dessas doenças, cujo comprometimento já fora anunciado por algumas empresas. Essa promessa inclui agilizar a busca por novos tratamentos, uma das principais preocupações da organização.

Dentre as prioridades da OMS estão: o manejo das doenças, as drogas utilizadas nos tratamentos, o controle dos principais vetores, a saúde pública veterinária e as melhorias em saneamento e água potável. Dentre as 17 doenças identificadas pelo roteiro, a organização acredita que 10 podem ser eliminadas ou controladas até 2020.

Ação coordenada

Em uma reunião realizada ontem, em Londres, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, apresentou o "roteiro" para lidar com 17 das 20 doenças negligenciadas atualmente classificadas pelo organismo internacional. A execução das ações acontecerá por meio do esforço de cocoordenação, firmado por 13 empresas farmacêuticas e outras entidades, como a Bill & Melinda Gates Foundation que, em 2009, já havia anunciado uma doação de U$ 34 milhões para impulsionar os trabalhos com as DTN.

Nas palavras de Chan, essa ação coordenada para lidar com DNT é a mais abrangente já realizada. "Nunca vi tantos concorrentes trabalhando juntos", afirma. A comemoração da diretora da OMS pode ser explicada, principalmente, devido à soma das doações que somando as novas e as pré-existentes equivale a 1.400 milhões de tratamentos por ano.

Críticas

Em meio às comemorações, também ressoam críticas, como as do Médecins Sans Frontières, também conhecido como Médicos Sem Fronteiras. Segundo seus representantes, os desafios na área estavam sendo "encobertos" no novo roteiro. Para a entidade, a ênfase em doações de empresas farmacêuticas pode significar que tais estratégias são influenciadas pela disponibilização de medicamentos, ao invés do que é realmente necessário para a saúde pública.

"Expandir doações de medicamentos da indústria farmacêutica é parte da solução, mas não é possível eliminar e controlar doenças como Chagas, calazar ou doença do sono sem um maior apoio aos programas de incentivo de detecção e de tratamento de pacientes, assim como o aumento do investimento para novos e melhores testes de diagnóstico e medicamentos", disse Daniel Berman, vice-diretor da campanha da Médicos Sem Fronteiras, para quem o acesso a medicamentos é essencial.

Enquanto isso, onze empresas, incluindo a AstraZeneca, GlaxoSmithKline, Sanofi e Bristol-Myers Squibb, estão expandindo a partilha de propriedade intelectual sobre várias doenças. Eles já estão trabalhando ou negociando acordos com as drogas sem fins lucrativos para Neglected Diseases Initiative. Este trabalho irá compartilhar compostos em um esforço para acelerar o desenvolvimento de terapias e segue medidas semelhantes para combater a malária. 

Fonte: Nature
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