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Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental. Desenvolve trabalho para o tratamento da obesidade (e também com acompanhamento de pré e pós-operatório de cirurgia bariátrica, com equipe multidisciplinar), da dependência química, dos transtornos alimentares e do transtorno dismórfico corporal, das compulsões (comida, exercícios físicos, compras, trabalho, tecnologia, jogo, substâncias, colecionismo, sexo), além de depressão, transtornos de ansiedade e estresse. Responsável pelo blog Saúde Mente e Corpo (http://mariacristinapsicologa.blogspot.com.br/).

Especialização(ões)
Psicologia Cognitiva;

Tuesday, 8 de October de 2013

Causas emocionais da obesidade

As causas do aumento da obesidade no país são multifatoriais, nelas incluídas predisposição genética, doenças endocrinológicas e desequilíbrios hormonais, mas, principalmente, o aumento de peso na população se deve ao excesso de ingestão de calorias, resultado de dieta inadequada, e falta de exercícios físicos. Os aspectos psicológicos também são determinantes para o quadro.

Segundo dados da última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no período entre 2006 e 2010, o sobrepeso em homens adultos passou de 18,5% para 50,1%, significando que metade deles está acima do peso. Em relação às mulheres, a proporção aumentou de 28,7% para 48%. Define-se obesidade como o estado em que há maior quantidade de tecido adiposo em relação à massa magra do que o esperado, considerando sexo, idade e altura. O aumento de peso pode ser provocado por predisposição genética, doenças endocrinológicas e desequilíbrios hormonais.

Mas a maioria das pessoas engorda, principalmente, por excesso de ingestão de calorias, resultado de dieta inadequada, e falta de exercícios físicos. Ou seja, na maior parte dos casos, os verdadeiros vilões são os abusos de pratos calóricos, como massas, de guloseimas, como doces, de refrigerantes, de produtos industrializados e processados, combinados com uma alimentação pobre em frutas, verduras e legumes, como tem sido verificado por vários estudos. Podemos perceber que a oscilação dos ponteiros da balança se deve a maus hábitos, muitas vezes adquiridos na infância, e ao sedentarismo.

Fatores externos concorrem para a má alimentação, como falta de tempo para preparar pratos saudáveis, devido à correria do dia a dia e ao acúmulo de compromissos; pular refeições, não ter horários para comer; beliscar entre as refeições ou até enquanto as prepara. Porém, os sabotadores estão dentro de cada corpo gordinho: não resistir às tentações, comer mesmo sem fome; não saber dizer não a mais uma fatia do bolo da avó, da lasanha da tia, do empadão da mãe. Transformar a comida em bengala emocional é a maior armadilha que as pessoas preparam, inconscientemente, para si mesmas.

Livrar-se dos quilos a mais é difícil, mas o primeiro passo é encarar os estímulos responsáveis pela incapacidade de estar no controle em relação ao impulso de continuar comendo. O que impede de resistir a mais uma fatia de pizza ou de torta de chocolate, que será apenas gula ou vontade de comer, porque já se está satisfeito? Que emoções são o gatilho para o assalto à geladeira? Raiva, tristeza, frustração, por exemplo, levam a buscar alívio em comportamentos que as aliviem, como comer e beber, por exemplo. Que pensamentos precedem a abertura do pacote de biscoito ou do pote de sorvete? A lembrança de preocupações pessoais ou profissionais, desânimo por não ter emagrecido o que se pretendia e por isso se considerar um fracasso, ou, o pensamento mais perigoso: Eu mereço, levam ao abandono do plano de emagrecimento, e ao ganho de mais alguns quilinhos, perpetuando o ciclo vicioso.

O autoconhecimento, portanto, é imprescindível para um emagrecimento saudável e duradouro. Emoções negativas e mal resolvidas acabam se tornando um peso físico, e enfrentá-las significará mudanças efetivas de pensamentos, sentimentos e comportamentos, que se refletirão no próprio corpo.